A Arte

A Arte na Minha Vida

Muita gente me pergunta os MOTIVOS que me fizeram escolher ser cirurgião plástico. Sempre digo que a resposta é fácil:
Eu era o artista da família e da escola. Sempre fui aquele que desenhava, pintava e esculpia.
Mas como mencionei, aos 17 anos fui fazer intercâmbio nos EUA e tive contato com a Biologia prática: microscópios, dissecções e aulas incríveis da matéria que sempre mais gostei. Foi em um momento de “insight” durante uma aula sobre a síntese de proteínas, que digo que um anjo passou e me disse: “você vai saber tanto ou mais que o seu professor. Vai estudar Medicina e vai unir as qualidades de artista e médico na especialidade da Cirurgia Plástica”.
Ali mesmo resolvi que voltaria pro Brasil, passaria para Medicina e seria um dia aluno do Professor Pitanguy.

E assim foi, através do tempo, quando fui me formando em Medicina (UFF), depois Cirurgia Geral (H.Antônio Pedro/UFF) e enfim a Cirurgia Plástica.
Mesmo após formado na Escola Ivo Pitanguy em 2002 e ter passado na prova de Especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, sigo em movimento e aprendizado.
A Cirurgia Plástica é de uma riqueza ímpar, por tratar de praticamente todos os órgãos, dos ossos, aos músculos e à pele.
O tempo me levou a poder trabalhar com uma subespecialidade que sou apaixonado, que é a Reconstrução de mamas, porém venho me aprimorando cada vez mais em outras áreas como a cirurgia da face e do contorno corporal e a Cosmiatria.
Hoje em dia temos tecnologias incríveis que nos auxiliam no melhor desempenho e qualidade dos resultados.
E seguimos nessa linda Jornada Profissional. Hoje, mais do que nunca, entendo o valor agregado da Arte que corre em minhas veias e posso, através desse olhar mais humanizado, entregar resultados mais harmônicos e exercer a Medicina com profundo amor.

Algumas obras pintadas pelo Dr. Marcio

O câncer de mama era pouco tratado à época do Renascimento, devido às débeis condições de assepsia e anestesia e também porque a mama era considerada órgão nobre e sagrado na simbologia do feminino. ⠀⠀
Porém, foram encontradas algumas representações do câncer de mama na Arte renascentista. ⠀⠀
A pintura “A Noite”, de Ghirlandaio, mostra ainda melhor que sua escultura homônima feita por Michelângelo, um caso de câncer de mama esquerda. ⠀⠀
Se nota uma massa ao lado do mamilo, uma região de irritação ao redor da areola, uma retração do mamilo e uma diminuição do tamanho da mama como um todo. A mama direita parece normal. ⠀
No caso da pintura “A Alegoria da Fortaleza”, de Maso da San Friano, se nota a mama esquerda toda aumentada em volume, com uma massa no quadrante ínfero- central, uma erosão da ponta do mamilo, vasos dilatados e uma tumefação da pele ao redor da aréola (aspecto casca de laranja). ⠀⠀
Há também cinco ulcerações e o quadrante lateral e superior e axila estão escurecidos, indicando linfonodos acometidos. ⠀⠀
Portanto, sabemos que a Arte, mais uma vez imitou a vida e se misturou com a Medicina, representando uma realidade que segue sendo a nossa. ⠀
Atualmente, graças aos avanços na Mastologia e na Cirurgia Plástica, o câncer de mama tem grandes chances de cura e possibilidade de reconstrução da forma, preservando-se assim esse símbolo da feminilidade tão importante para a mulher.⠀

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